quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Dúvidas tecnológicas


Por que toda vez que você entra num site para tirar dúvidas, a lista das fac traz todas as respostas imagináveis, menos a que responde a sua dúvida?


Por que não existe alguém do lado de lá que possa interagir com você do lado de cá?






sábado, 28 de novembro de 2009

Allende em Turim

Isabel Allende é uma das melhores contistas que conheço.
Opinião pessoal, é claro. Mas se você ainda não leu Contos de Eva Luna, leia que vale a pena.
Mais conhecida pelo autobiográfico Casa dos Espíritos, que deu um bom filme com Jeremy Irons, aquele gato, e Meryl Streep, é autora de mais 14 romances, um livro de memórias, três de contos e três peças para teatro (tá na Wikipédia, vai lá).

Mas a sobrinha de Salvador Allende não é só uma escritora das boas, mas uma mulher de ideias claras e opiniões definidas. Feminista (ainda), ela articula seus pontos de vista com grande propriedade e humor.
Achei uma delícia assistir ao vídeo aí abaixo. Podem conferir.







Primeira Fonte
tá jorrando de novo e espera seus leitores de braços bem abertos.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Verdade ou paranoia?

domingo, 22 de novembro de 2009

A propósito de estrelas




Ela já foi chamada poeta-pop.
Depois chegou-se à conclusão de que o título não esgotava o assunto.


É de Adília Lopes, poeta portuguesa de nosso tempo, o poema a seguir.




Não sei se me interessei pelo rapaz
por ele se interessar por estrelas
se me interessei por estrelas por me interessar
pelo rapaz hoje quando penso no rapaz
penso em estrelas e quando penso em estrelas
penso no rapaz como me parece
que me vou ocupar com as estrelas
até ao fim dos meus dias parece-me que
não vou deixar de me interessar pelo rapaz
até ao fim dos meus dias
nunca saberei se me interesso por estrelas
se me interesso por um rapaz que se interessa
por estrelas já não me lembro
se vi primeiro as estrelas
se vi primeiro o rapaz
se quando vi o rapaz vi as estrelas



Adília Lopes, in
Desfogados pelo vento.
A poesia dos anos 80, agora,
Antologia de Valter Hugo Mãe, Ed. Quasi






Mensagens 'proféticas'

Uma coisa.
Ando recebendo mensagens que falam do futuro próximo deste país (onde nunca dantes aconteceram coisas tão importantes) que se prepara para eventos como a Copa do Mundo de Futebol, em 2014, e as Olimpíadas Internacionais,  2016. São mensagens até engraçadas, às vezes, mas todas preveem que os brasileiros vão pagar muito mico por conta desses acontecimentos.
Também sinto certo frio na barriga, pensando nisso - o que tinha que ficar pronto até lá e não vai ficar, as repercussões desses eventos, a respondabilidade da turma aqui da casa, que nunca se sabe, sem falar na competência requerida para dar conta de tudo. Governos de todos os níveis, abram o olho; órgãos de segurança, segurem-se. Fazedores de superfaturamentos, por favor, deem uma colher de chá à reputação de nossa terrinha..
Restam os santos, alguns até brasileiros. Pode ser que exista um santo ou anjo especializado em proteger contra micos, para os quais convém começar a orar com fervor.



eu crio estados como quem cria bichos e hoje é dia de gatinha

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Hematófago



cego na frente do espelho
o escuro descendente do vampiro
morde a noite


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Para quem gosta de escrever

EXERCÍCIO DAS PROIBIÇÕES

Este exercício, usual em oficinas de literatura, foi extraído de uma oficina dada pelo crítico José Castello.

Escreva um conto, que tenha no máximo 5 mil caracteres com espaços, ambientado na praia de Copacabana.

As 100 palavras que constam da lista abaixo não podem ser usadas, estão proibidas. A idéia desse exercício é levar o aluno a refletir sobre as facilidades oferecidas por clichês, lugares comuns, e tudo o mais que escrevemos "sem pensar". Eles podem ser úteis para a publicidade, para o marketing, para a propaganda, até para o jornalismo – não para a literatura.

1- água de coco; 2- amendoim; 3- areia; 4- asa delta; 5- avião; 6- barco;
7- barraca; 8- barriga; 9- bermudas; 10- bíceps; 11- biquíni; 12- bicicleta
13- biscoito; 14- bola; 15- boné; 16- bronzeador; 17- bunda; 18- cachorro;
19- calçadão; 20- calor; 21- camarão; 22- caminhada; 23- campeonato; 24- canga;
25- cedê; 26- cerveja; 27- céu; 28- chapéu; 29- chinelo; 30- chuva; 31- cochas;
32- cooper; 33- COPACABANA; 34- conversa fiada; 35- domingo; 36- ducha;
37- esporte; 38- esteira; 39- estrela; 40- flacidez; 41- futebol; 42- futevôlei;
43- galera; 44- garota; 45- garotão; 46- ginástica; 47- horizonte; 48- ilha;
49- jornal; 50- livro; 51- lua; 52- mar; 53- mate; 54- mulher; 55- músculos;
56- namoro; 57- navio; 58- oceano; 59- óculos; 60- óleo; 61- ondas; 62- panfleto;
63- paquera; 64- patins; 65- peitos; 66- pelada; 67- peteca; 68- picolé; 69- praia;
70- prancha; 71- propaganda; 72- protesto; 73- protetor solar; 74- publicidade;
75- quiosque; 76- rádio; 77- rede; 78- refrigerante; 79- revéillon; 80- revista;
81- sábado; 82- sandália; 83- sexo; 84- show; 85- sol; 86- som; 87- soneca;
88- sorvete; 89- suco; 90- sunga; 91- suor; 92- surfe; 93- tanga; 94- tênis;
95- tira-gosto; 96- toalha; 97- trânsito; 98- turma; 99- vôlei; 100- voo-livre.

domingo, 15 de novembro de 2009

Lucubraçoes póstumas do marechal

Hoje, dia de comemorar a proclamação da república (assim com letra minúscula mesmo), dou voz ao marechal Deodoro da Fonseca, dono da festa.


Vocês não conheceram o Exército daquele tempo. Era bravo, íntegro, valoroso. Impetuoso, digno, abnegado. Merecia todo reconhecimento, toda honra, toda atenção. Era injusto que o postergassem, que o ignorassem ou não lhe atribuíssem o devido valor.

Primeiro foram aqueles quatro anos às voltas com os problemas criados por alguma inabilidade da Regência, mas acima de tudo pelo temperamento rebelde daquela gente – tinhosa, como eles mesmos se chamavam, – avessa a cabresto, indisciplinada por natureza. Tinha eu vinte e um anos, acreditava – como ainda acredito – na importância da ordem, do pulso firme. Disciplina é chave na vida militar, essa disciplina de máquina bem azeitada, de canhão que tem que estar pronto pra disparar na hora exata.

O povo não pensa nisso. Quer conseguir, não só o que ainda não tem, mas o que acha que vai perder. O povo se sente sempre ameaçado, tem medo que as coisas fiquem mais difíceis do que estão.

Ainda vejo a rua da Praia a ferver. Recife nunca mais seria a mesma cidade pacífica depois daquilo. O Antônio Pedro de O Progresso ajudou a inflamar os ânimos e, embora eu não pretenda condená-lo por seus artigos incendiários, ainda me parece que foi leviano o modo como conduziu seu jornal, que acabou se queimando no próprio fogo.

Os pobres sempre precisam de coisas de que ninguém se lembra, só eles. A coisa vinha de longe, da Europa, e uma das pontas veio estourar aqui. Lá eram os donos de terra, a riqueza nas mãos de poucos. Aqui era isso e mais a questão dos escravos. Convenhamos, panos para mangas. Juntaram-se os que não tinham nada com os que não tinham coisa nenhuma, uma aliança perigosa, já que os torna muito mais numerosos e reúne cobiça e muita raiva acumulada. Qualquer gotinha faz transbordar, e quando isso acontece em geral é uma inundação. De todo modo, era uma demonstração de estultícia daquela gente acreditar que eu poderia querer a restauração da monarquia.

Mas as questões da política são assim, surpreendentes e cheias de incoerências. Muitas cabeças, opiniões demais, sempre se acaba num rumo de irracionalidade. O importante é que o dignitário do momento mantenha a cabeça fria, e que vise mais o bem da pátria do que a manutenção do poder nas próprias mãos.

O que aconteceu no Paraguai foi maior; durou seis anos e liquidou mais de três dezenas de milhares de soldados. Exército e Marinha em ação, coisa de importância. Rendeu-me a capitania, mas derramou muito sangue. No Paraguai então morreu gente a dar com o pé, pelas armas e pelas doenças que se espalharam. O país também nunca mais iria sarar. Contraiu uma anemia crônica depois dessa guerra, e hoje vejo o estrago que causamos lá. Ainda bem que a culpa não foi nossa, mas do Solano.

Fico daqui do último andar desse prédio, antigo QG, onde depois construíram o ministério da Guerra quando o Rio de Janeiro era a Capital – bons tempos! –, vendo o movimento, e fico meio tonto. Parece um formigueiro. Em frente, o campo de Sant’Ana, o sobrado de esquina onde eu morava, os prédios vizinhos, tudo ainda muito familiar, apesar dos anos. Era uma casa bem típica, salas na frente, chão de tábuas corridas, os quartos enfileirados. Ainda vejo o grupo de sofá e poltronas de palhinha em volta da mesinha oval, de pernas altas torneadas, na sala de visitas, a mesa comprida de jantar, o lustre de cristal, o teto de madeira trabalhada. Está um pouco estragado agora. Tombamento só serve para o que se vê por fora, é o diabo.

Aqui por trás desses prédios começou a primeira favela, assim que libertaram os pretos. Subiram o morro, arrumaram casebres para se abrigarem de sol e chuva.
Dizem que o imperador exclamou “estão todos malucos!”, quando ouviu a notícia no dia 16. Homessa. Essa gente da nobreza não consegue identificar o que se passa com os pobres.


Maravilhosa, essa garota ucraniana



Kseniya Simonova é uma garota ucraniana, que acaba de ganhar o concurso Talentos da Ucrânia.

Ela utiliza uma grande caixa iluminada, música dramática, a imaginação e sua habilidade de 'pintar' com areia para interpretar a invasão e ocupação do seu país de 1941-45.

Ela conta uma história completa apenas movimentando a areia na mesa, usando somente as mãos para criar estas imagens.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Passado com passas




 
o abraço dobrado
e o bom passadio
de passas no arroz
era a vida dos dois
lareira no frio
praias no verão e
a vida passando
como o ferro passa
e o trem já passou

depois do passado
em que a história acontece
ficou só presente
onde nada mais passa

o presente é o roteiro
de um filme
que nem começou





As time goes by









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Em tempo: veja aqui outros lances sobre o caso da Uniban - ECA!
Veja também Milton Ribeiro, devidamente nauseado.